20 de ago. de 2007

SAUDADES - 1

Aquele sentimento de saudade,
Me alimenta e fascina,
Um segundo a mais sem ela,
Uma eternidade a menos de vida.

Diz doer certas vezes essa saudade,
Em outras faz lembranças renascerem,
Relembrar vaidades...
Acender luxúria...

Mas quando revê-la...
Tudo pode ser sonho...
Pois farei ser...
Farei cada minuto ser conto feliz...
Cada pensamento valer a pena...

E meu olhar será só dela...
Como antes e agora é meu pensamento.

19 de ago. de 2007

A ALMA DO MUNDO

Dois homens à cavalo viajam:
- Meu caro, este deserto não me traz boas lembranças...
-Mas como não, foi aqui, neste lugar seco e arenoso que destruímos o próprio demônio em forma de turba.
- E é isso que me corroe, me diga, qual demônio tem em suas linhas de batalha crianças e velhos?
- O demônio tem todos os fracos de espírito em sua linha de batalha, não se engane com as aparências.
- Então, se eu ver um aglomerado de pessoas que fala na língua estranha e porta facas curvas, devo matá-las em nome da santa igreja?
- Sim, em nome de Deus!!!
- Mas... e se não houverem facas curvas ou flechas pontiagudas?
- Ainda assim deve matar a turba demoníaca, a palavra causa mais problemas que as lâminas e as flechas toscas dos infiéis.
- Mas meu mestre, porque matar ao invés de converter e conversar? Se as palavras são fortes armas, porque não usá-las?
- Tuas perguntas me ofendem, deve rezar.
- Não entendo o porque de ofender-se meu mestre.
- Cale-se, senão perderá o dia todo em rezas.
- Tu que deveria rezar, não sabes o que fala.
- Ora, seu tolo, rezará trezentos pais nossos e mil e quinhentas aves marias!
- Farei sim, pela alma das pessoas que matamos aqui há algum tempo atrás.
- Cale-se!
O jovem cavaleiro começou a rezar e um forte vento jogo sua espada para longe de sua mão, ela bateu na areia com um som seco e ali permaneceu.
- Além de falar besteiras tem a mão fraca, anda, vai buscá-la!
Ele desceu de seu cavalo, mas continuou rezando.
Ao primeiro passo em direção a lâmina bem trabalhada, outra rajada de vento empurrou ainda mais a espada.
- Corra herege! Antes que eu te deixe com os demônios que restaram nesse lugar!
Ele parou, ajoelhou e rezou ainda mais.
- Ora seu tolo!!!
O homem que ainda estava no cavalo, retirou seu açoite e o preparou, deixando sua ponta afiada cair no chão.
- Levanta!
O jovem continuava sua reza.
O vento ficou mais forte e as areias daquele deserto formaram um céu laranja, no entanto, a espada não se movia mais.
- Que seja!
O homem com o açoite ergueu o braço, num movimento rápido, em direção ao céu, o cordão feito de couro o acompanhou.
O vento formou um pequeno redemoinho próximo a lâmina, um pequeno, mas forte redemoinho.
A espada deslocou-se na direção dele, ergueu quase dois metros do chão e foi lançada com uma força sobrehumana na direção do homem com o açoite.
O jovem continuou sua reza, ouviu o som de ossos se quebrando, de um corpo caindo e o relinchar de um cavalo.
O vento cessou, o céu tornou-se azul, os olhos do jovem se abriram mostrando uma única lágrima.

Há alguns metros dali, dois homens distintos conversavam ao ver a cena:
- A alma dele ainda está confusa.
- Então que fique claro, ela não é nem sua e nem minha Senhor.
- Que seja, o tempo dirá a verdade e mostrará o caminho.

GUERRA FRIA

Que horas são?
Ah, não sei, olha o relógio aí...
Cadê o relógio?
Ali, está ali, olha...
Ah, está mesmo... obrigado.

Então...
Então o que?
Que horas são?
Olha o relógio ué...
Me dá ele.

E aí... já viu?
Já sim, por que?
Ué, me devolve o relógio.
Me desculpe senhor do tempo.
Ora, que brincadeira tola.

Satisfeito?
Sim, muito obrigado.
Por nada, dá próxima vez nem mostro onde ele está.
Não haverá próxima vez
Haverá sim, sua memória é péssima.


14 de ago. de 2007

ENTRADA PROIBIDA

A colina de ferro é onde moram os heróis...
Com suas lanças quentes e rápidas foices...
De noite descem rápido como os raios...
E empalam seus inimigos...
De dia bebem um bom vinho, e dançam ...
Nas três colinas de ferro eles são heróis...
Guardiães da terra desconhecida.

?????

A beleza me fascinou...
Deu-me vida...
Mas tuas palavras...
Me deram coragem...
Me deram alma.

Alma inquieta e feliz...
Que pensa em ti a todo momento...
Mas que sabe provocar...
Sem trazer lamento.

Quero teu beijo perfeito...
Teu toque sedutor...
Tua face vermelha...
Teu carinho, teu amor.

Conquistarei-te menina...
Farei-te feliz...
Farei-te surpresa...
Farei-te mulher.

Enfim eu estarei contigo...
Choro ou riso...
Todo momento.

O CANTO DA CORTINA

Há uma cortina trançada com fios de cabelo...
Naqueles cabelos ainda existe vida...
Com meus olhos viajo pela cortina...
Um pano trançado com almas há pouco paridas.

O canto das cortinas foi iniciado...
Vozes roucas fazem dela um conto de teatro...
Dançando em dor e agonia...
Criticadas pela verdade e pelo fato.

As cortinas se renovam e outros fio de cabelo são trançados...
Uns são vermelhos e outros dourados...
Vermelhos de sangue, dourados de fé que não havia em vida...
E fios negros, maldosos,já cansados.

O canto da cortina prossegue...
Na procissão eterna da morte...
A dor infinita cria mais cortinas de almas há pouco paridas...
Pessoas que viveram sem regras, pessoas que não tem sorte.

CARTA DE UM HABITANTE

Minha pequena sala, onde tudo acontece: Dos encantos comuns, à transformação de aço em ouro.
Lá fora me faço de tolo, e escondo os mistérios de minha vida estudiosa e sábia.
Aqui, sou o Deus da matéria polida e também desgastada.
Fixada no nada, contida em tudo e misteriosa como a fé verdadeira.
Minha alquimia é matreira.

Minha percepção do mundo é longínqua e tudo me parece mais perto.
Sou louco e racional, apaixonado e frio.
Tudo isso pela minha ciência...
... e pela minha onisciência.

Sim, sou um Deus da matéria, fixado em nós de moléculas.
Contido em cada verme analisado, eu estou.
Ninguém nunca me passou...
... Nem nesta cidade que me faço de tolo, nem em qualquer lugar a léguas de distância daqui.

SIM!!! Sou um Deus da matéria...
...matéria humana e desregrada, matéria material, fixada em tudo, assim como eu...
...contido no nada, fixado em alguma coisa.
LOUCO?! Nunca...

Eu apenas sou a pergunta e o equívoco, o erro e a discórdia dos pensamentos comuns...
... ouça-me e terá uma vida de tolo e um quarto onde será DEUS...
... nele e em todo lugar.

Aço em Ouro, vivo eternamente, escondido embaixo de sua terra...
... não me verá jamais...

... e se tentar...

... me encontrar será um erro.






3 de ago. de 2007

PALAVRA SÉRIA

Pensei que talvez nunca escreveria isso, mas o momento pede seriedade e pensamentos corretos.
Pensei que talvez pudesse um dia dizer que as coisas mudaram sem minha vontade ou a vontade de outras pessoas.
Mas as pessoas deste mundo mostram-se covardes, cegas, hipócritas, fracas, iludidas, fantasiosas.
Não sempre, mas de maneira mais forte a cada ano que passa.
E isso me inclui.
Perceber os erros próprios é uma tarefa difícil...
Quem poderia dizer que brincadeiras comuns são erros?
Quem admitiria uma conversa pra desabafar como erro?
Quem ficaria calado diante de uma brutalidade física ou moral. somente para não parecer tolo diante dos "amigos"?
Pois a brincadeira mais besta, o esquecimento mais idiota, a falta de educação e respeito velados, tudo isso pode parecer pouco ou nada pra afetar alguém de forma real, mas o faz.
Não digo que devemos viver só para prestar atenção em todos os minúsculos atos que temos, isso seria cansativo e covarde conosco.
Mas seria tão simples e fácil saber, e tão só isso, que tudo tem momento e hora, que tudo que nos agrada pode ofender outras pessoas, que ser educado não depende da pessoa ser desconhecida...
O mal do século ainda é a solidão, o medo de se ver isolado e sozinho em um quarto.
E o ser humano faz-se de ignorante e de animal predador para não ficar entre as baratas do próprio refúgio.


Rafael Santos (Conhecido Xis, Mestre Poeta)

1 de ago. de 2007

SEM CORTE

Em um canto, num conto, no som...
Em um mito, um faro, um tom...
No medo escarlate... Na loucura que parte...
Uma alma se vai... Uma vida que caí.

A lenda guerreia, renasce faceira...
Ataca, atordoa, mata e voa...
Desce e sobe...
Ingrata e esnobe.

Revida no ato, retira o sapato...
Mostra os dentes, joga óleo quente...
Queima a pele, machuca, fere...
Repõe o calçado.

Anda sem dó, marca e dá nó...
Pega no laço, entorta o pescoço...
Vira de lado e faz seu almoço...
Cuidado! Sem alvoroço.

O corpo caiu, sem sangue ruiu...
Em um canto, num conto, no som...
Na loucura que parte, com alma escarlate...
Sem medo nem dó, sem laço nem nó.