16 de jun. de 2007

RE-VIDA

Foi no cuspi de sangue que me fiz verter em lágrimas...
Um cuspi rubro e grosso como o mel provado pelas abelhas
e passado ao ser humano que lhe engole como se fosse o primeiro
Naquele cuspi rubro como o sol crepuscular me fiz em lágrimas...
Doces lágrimas que de sangue nada tem,
lágrimas vivas e cristalinas
repletas do sal de meu corpo e da dor de meu pensamento...

O sangue salivado e ferroso era de minha doença,
Doença tal que me fez viver com alegria a vida,
Com provérbios vistosos à boca,
Com belas raparigas
Com vaidades de alma e coração...
Com calunias verdadeiras e tensas...
Com muita voracidade...

A doença me venceu em corpo,
Trouxe-me dor física,
Trouxe-me mais mel rosado,
Tirou-me parte do pulmão...

Mas de nada valeria um pulmão com vida insossa,
Com calma nobre ou raiva cavalheiresca,
Nada valeria corpo com mentalidade de sultão,
Coberto de ouro e descoberto de aventura,
Coberto de mulheres e descoberto de amores.

Ainda que a doença tenha me vencido em corpo,
Desistiu de minha alma ao primeiro impacto de sorriso,
E, ao avistar nela, um choroso sonho em corpo de menino,
Deu um grito de raiva e medo sumindo em seguida,
E o menino assustado deu um salto de animal e tornou-se homem.

Homem do qual falo...
Que traduziu as leis celestes de maneira sua,
Que viveu a ilustre mentira da vida,
Com um sonho de luzes e vitórias perdidas,
Que se conquista com garra e luta.

LOUCO

A loucura suaviza a nítida raiva de um ser comum,
A loucura tão sórdida e esquisita que suprime os inválidos,
Ela que regenera a vastidão do intelecto humano,
O faz mais vivo e menos irado.

Então eu direi:
Porque ser normal?
Onde estaria a validade, a recompensa em ser normal?
Onde estaria a virtude de alguem que diz-se NORMAL?

Há mais gratidão e emoção nos louros da vitória quando se ganha com a vontade de um louco,
Há mais vida e paixão no amor enquanto ele está no intervalo incerto da loucura...
A loucura que é doce traz sorriso para os humildes que desprezam o dinheiro,
Esta mesma loucura, renega a sensação de tristeza e a faz felicidade.

Sendo assim, com tudo escrito e desenhado no nada,
Faço de minha ideologia a seguinte:

"Não serei normal perante os normais,
Não serei igual perante os iguais,
Serei honrado, justo e braseiro,
Serei forte, fraco e estranho,
Serei eu e serei mais e mais eu mesmo,
E não seguirei regras."

Sendo assim... fico com a sensação estúpida e feliz de que sou...

LOUCO.

13 de jun. de 2007

DURAS VERDADES

Dou verdades as pessoas que gosto,
E dou mentiras e falsidades a quem desgosto,
Mas são raros estes,
Quase nunca sobrevivem.

Minha verdade acaricia os bons amigos e amores,
Dá histórias, louvores, paixões,
Dá vida e ressurreição,
Dá fantasia.

Minhas mentiras e falsidades acariciam os inimigos e desamores,
Dão histórias, louvores paixões,
Dão vida e ressurreição,
Dão Fantasia.

A diferença é o ato verdadeiro,
Sincero e honesto meu para os outros,
Então seria fácil dizer,
A escolha é de quem me tem por perto.

12 de jun. de 2007

A CAMINHO...

As laranjeiras de um fim no oeste se desfazem,
E criam então uma sensação de fome e seca,
Onde estão os guerreiros que diziam viver sem água?
Morreram aos prantos de tanto desespero.

O som daquele choro amargo ainda é audível,
E cada lágrima parecia correr como sangue,
E sangue era o que eram realmente,
Pois guerreiro algum dá gosto à morte.

Não há ladrão que desminta um guerreiro,
E não há guerreiro que dê costas ao mundo,
A todo mundo,
Pois neste carrossel há um ladrão que mata.

E foi um desses que matou à duros golpes todos os fortes,
Com uma martelada em uma nascente,
Destruiu o que era a água,
Tão cristalina e corrente,
Findou-se o oeste das laranjeiras.

E o sangue vermelho e audaz ainda corre,
Como perseguindo a alma de seus donos,
Como se gotejando da cabeça do martelo,
Que mesmo sangrando ainda vive.


11 de jun. de 2007

NASCIMENTO

Pois é a noite que os poetas nascem,
Assim como a lua,
Prontos para a música e a bebida,
Tolos a dançar pela rua

A viver em harmonia,
A versar palavras nuas,
A criar pela alegria,
Ou tristezas nada cruas.

Os tolos não se esquentam,
Dançam cada vez mais pela rua,
Muita bebida ainda aguentam,
Celebram ela...

... Bela lua.

HUMANO

Quem sois?
* Um deus.
És forte?
* Crio (a) pessoas.
E cria elas felizes?
* Quando elas querem..
Qual seu nome?
* Um Pensamento. não cria
Você sabe o meu?
* Ninguém. , mas cria
Quem sou?
* alguns Um deus. (es).

6 de jun. de 2007

OS ANJOS RETORNAM

Olhei para o alto e acima vi uma luz...
O vento soprou e tudo que senti foi à vida...
Do meu violão me separei por alguns segundos...
Pois eu havia encontrado um anjo.

Meus olhos brilharam,
Senti o vento ainda mais forte,
Meu chapéu voou,
Mas quando tentei buscá-lo...
Não vi mais nada...

Não havia mais anjo,
Não havia mais vento,
Não havia mais chapéu,
Nada havia ali,
Além de mim, as árvores, o meu violão...

A estrada parecia mais longa...
Aí de mim que vi sem ver,
Dói mais um pouco coração,
Faz de seu dono, lágrima verter...

Meu chapéu sumiu,
O anjo levou embora.
O que será que viu,
Naquele chapéu sem novas,

Perdi meu amor e meu chapéu,
Os anjos me levam tudo,
Põe-me um grande véu,
Para que meu rosto haja escuro.

Mais alguns passos andei,
E um senhor eu vi,
Normal como os outros,
Sem chapéu ou estrela de Davi...

“Lá a frente precisam de sua ajuda,
Sou velho e fraco,
Nada posso fazer,
A mulher irá cair e assim irá morrer”.

Ao ouvir o homem sábio,
Corri mais rápido que o vento,
Com meu violão nas costas,
E os pés no tempo...

Logo cheguei em um poço,
Dito “dos milagres”,
Já havia visto aquela cena,
Mas não havia tempo para apreciar lugares.

Uma mulher estava na beira do poço,
Corri para pegá-la,
Quase que me escapou,
Mas consegui segurá-la.

Estava desacordada,
Mas era bela igual meu perdido amor,
Era tão igual a ela,
Que me causou certo... Espanto.

“Mulher acorda!”,
Foi isso que disse,
Mas quando minha frase terminei,
Vi mil vidas passarem sem aviso na minha mente.

Ela estava em todas...
Acordou,
E sem pensar eu disse,
Minha amada.

Ela sorriu...
Dei-lhe um beijo sem igual,
Meu chapéu do céu caiu,
E as penas que estavam nele não eram de um mortal.

Os anjos retornam quando querem,
E um deles eu estava segurando em meus braços,
Era ela minha bela amada,
Aquela com quem atei meus laços.

DO CÉU AO VÉU

Onde está o céu?
Meu cachimbo veio de lá,
Tua nuvem cria um véu,
E tem cheiro de âmbar.

Caiu do alto feito pena,
Sem sequer se arranhar,
Pito nele todo dia,
Sonho com ele no luar.

Vivo noite, noite e dia,
Sem sequer me alimentar,
Onde está o céu?
Cadê esse lugar?

Meu cachimbo veio dele,
E sua nuvem de âmbar,
Esse céu só tem flores,
Que colorem o lugar.

Tão sem graça esse tal,
Nem cachimbo mais tem lá,
Fico por aqui,
E aprecio meu luar.

Lua tão clara e bela,
Entre nuvens de âmbar,
Do cachimbo veio ela,
Pito nele sem parar.

Onde está o céu?
Nem quero mais pensar,
Ele lá é chato,
Eu tô aqui a me alegrar.

4 de jun. de 2007

QUEM SABE?

Quem sabe?
Gostaria de saber...
Saber de todas as verdades, de todas as mais belas verdades,
Mas como farei isso?
Quem sabe?
Digam-me como farei de minha vida uma grandiosa e bela verdade,
Verdade essa que procuro em tantos lugares,
Quero saber,
Quem sabe?
Penso que é necessário saber de muito para nada saber,
E saber de nada para tudo conhecer,
Mas, quem sabe?
Digam-me, lhes imploro!
Penso que pensar me estraga,
Saberei de tudo se não pensar em nada,
Então é simples,
Esquecerei tudo, todos, qualquer coisa.
Não posso!
Como esquecer o que já aprendi?
Quem sabe?
Pensei que era simples,
Nada é simples...
Para conhecer todas as verdades,
Não poderia ter conhecido o que é mentira...
Só assim saberia de todas as belas verdades,
Sendo um tolo...
Quem sabe?

O MUNDO É VERMELHO!!!

O mundo é fogo,

É vida queimando,
É histeria de dor,
Vibrante, andando...

O mundo é sangue,
É lógica do caos,
É quente e finito,
é vermelho e só.

Quem é o mundo?
Quem sois vós?
Tão quieto e profundo...
Vermelho entre nós.

Sangue...
Sangue...
Vida...
Vida...

Um corte profundo...
Mundo...
Ferida.

SIGA-ME...

Ande comigo e verá,
Toda a angustia indo embora,
Ande comigo e terá,
Toda sabedoria do agora.

Repulsará o medo,
E o esmagará em sua mão,
Transformará em segredo,
Nenhuma luta é em vão.

Siga-me pelo olhar,
e verá o que vejo,
Todo louco em seu sonhar,
Todo normal em realejo.

Siga-me...