Um cuspi rubro e grosso como o mel provado pelas abelhas
e passado ao ser humano que lhe engole como se fosse o primeiro
Naquele cuspi rubro como o sol crepuscular me fiz em lágrimas...
Doces lágrimas que de sangue nada tem,
lágrimas vivas e cristalinas
repletas do sal de meu corpo e da dor de meu pensamento...
O sangue salivado e ferroso era de minha doença,
Doença tal que me fez viver com alegria a vida,
Com provérbios vistosos à boca,
Com belas raparigas
Com vaidades de alma e coração...
Com calunias verdadeiras e tensas...
Com muita voracidade...
A doença me venceu em corpo,
Trouxe-me dor física,
Trouxe-me mais mel rosado,
Tirou-me parte do pulmão...
Mas de nada valeria um pulmão com vida insossa,
Com calma nobre ou raiva cavalheiresca,
Nada valeria corpo com mentalidade de sultão,
Coberto de ouro e descoberto de aventura,
Coberto de mulheres e descoberto de amores.
Ainda que a doença tenha me vencido em corpo,
Desistiu de minha alma ao primeiro impacto de sorriso,
E, ao avistar nela, um choroso sonho em corpo de menino,
Deu um grito de raiva e medo sumindo em seguida,
E o menino assustado deu um salto de animal e tornou-se homem.
Homem do qual falo...
Que traduziu as leis celestes de maneira sua,
Que viveu a ilustre mentira da vida,
Com um sonho de luzes e vitórias perdidas,
Que se conquista com garra e luta.
