Olhei para o alto e acima vi uma luz...
O vento soprou e tudo que senti foi à vida...
Do meu violão me separei por alguns segundos...
Pois eu havia encontrado um anjo.
Meus olhos brilharam,
Senti o vento ainda mais forte,
Meu chapéu voou,
Mas quando tentei buscá-lo...
Não vi mais nada...
Não havia mais anjo,
Não havia mais vento,
Não havia mais chapéu,
Nada havia ali,
Além de mim, as árvores, o meu violão...
A estrada parecia mais longa...
Aí de mim que vi sem ver,
Dói mais um pouco coração,
Faz de seu dono, lágrima verter...
Meu chapéu sumiu,
O anjo levou embora.
O que será que viu,
Naquele chapéu sem novas,
Perdi meu amor e meu chapéu,
Os anjos me levam tudo,
Põe-me um grande véu,
Para que meu rosto haja escuro.
Mais alguns passos andei,
E um senhor eu vi,
Normal como os outros,
Sem chapéu ou estrela de Davi...
“Lá a frente precisam de sua ajuda,
Sou velho e fraco,
Nada posso fazer,
A mulher irá cair e assim irá morrer”.
Ao ouvir o homem sábio,
Corri mais rápido que o vento,
Com meu violão nas costas,
E os pés no tempo...
Logo cheguei em um poço,
Dito “dos milagres”,
Já havia visto aquela cena,
Mas não havia tempo para apreciar lugares.
Uma mulher estava na beira do poço,
Corri para pegá-la,
Quase que me escapou,
Mas consegui segurá-la.
Estava desacordada,
Mas era bela igual meu perdido amor,
Era tão igual a ela,
Que me causou certo... Espanto.
“Mulher acorda!”,
Foi isso que disse,
Mas quando minha frase terminei,
Vi mil vidas passarem sem aviso na minha mente.
Ela estava em todas...
Acordou,
E sem pensar eu disse,
Minha amada.
Ela sorriu...
Dei-lhe um beijo sem igual,
Meu chapéu do céu caiu,
E as penas que estavam nele não eram de um mortal.
Os anjos retornam quando querem,
E um deles eu estava segurando em meus braços,
Era ela minha bela amada,
Aquela com quem atei meus laços.

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