17 de dez. de 2008

A primeira vez que falo...

Um túnel escuro e denso, com paredes apertadas e sem ar...
Ainda respiro a água que havia no ventre de minha mãe, ainda vejo o colo que me suportava...
Naquele tempo eu havia pensado: "Meu Deus, que mundo estranho é esse?"...
E após anos de crescimento, amadurecimento, de erros e acertos...
Eu penso: "Meu Deus, que mundo estranho é esse?"...
Me vejo em uma rua escura, uma chuva fina e que parece infinita...
E enquanto cada gota escorre pelo meu rosto cansado e tenso...
eu penso: "Será esse o caminho?"...


- É isso doutor, o senhor já sabe qual é meu mal?
- É difícil dizer meu caro, ainda vejo restos de um mundo velho em você, algo que você não se importa de levar na sua bagagem de vida, você ainda dúvida dos caminhos que deve seguir, esse mundo estranho que tanto fala, nada mais é que o nosso mundo contemporâneo, que você vê como uma armadilha, meu caro, como amigo seu, devo lhe dizer, siga em frente e vá onde seus sentidos lhe mandam.
- Obrigado doutor, há tempos precisava ouvir isso, sabe, eu estava assim faz tempo, e ninguém me ouvia, obrigado por fazer isso!
- Por nada meu caro, é o meu trabalho que eu faço com gosto!


- merda de trabalho, nada como um bom whysky e uma boa novela!
Uma sala decorada com móveis de mogno envernizado, um homem com seus cinqüenta e tantos anos, um copo de whysky e um belo diploma pendurado próximo à parede onde está sua televisão de tela de plasma, e nessa TV, um noticiário de ultima hora:


"Há menos de trinta minutos um homem pulou do vigésimo quinto andar do prédio central de nossa cidade, deixando em choque um grupo de adolescentes que passava pelo local. Ainda é possível ver o corpo ensangüentado na calçada luxuosa do plaza. Os polícias não nos deram muitas informações, no entanto um dos adolescentes nos disse que haviam vários papéis em volta do corpo e que cairam, provavelmente, do andar da vítima fatal. Nesses papéis estão escritas frases à mão livre e todas iguais: "A PRIMEIRA VEZ QUE FALO...". Aqui é... - Um gole de whysky - ... do plantão ao vivo"


Mais um gole de whysky, entornando o copo...
Uma gota de suor escorre da sua face...
Um ultimo olhar assustado para a caixa de imagens antes do desmaio...


Na televisão o cinegrafista foca o corpo do homem e, também, uma grande folha com gotas de sangue... A PRIMEIRA VEZ QUE FALO...



Escrito por Santiago (eu mesmo... mas esse artigo escrevi em um outro blog, onde não usamos nomes reais)

3 comentários:

Ísis Brito disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ísis Brito disse...

Parabéns! Texto fodástico, como diria um amigo meu. Fiquei impressionada! ^^

Alias, gostei do seu blog. Textos muito originais. Atualize-o sempre! \o/

Deh disse...

Ah..que orgulho do pai do meu filhoteee....(epa, quem não souber da piaidinha interna, vai axar estranho, rs rs)
Ah, como eu já sabia, suas palavras cravam no peito sensações , antes inexistentes.!
Cuide-se...e vê se vai lá escrever no seu filho tbm...beijosss